
“Allegro ma non troppo, segundo de as leis fundamentais da estupidez Humana”, de Carlo Cipolla, aborda, através de uma sátira ironicamente humorada, a falta de pimenta como precursor do desenvolvimento económico na Idade Média, numa primeira parte do livro. Numa segunda parte, acerca das Leis fundamentais da estupidez humana, somos presenteados com “uma espirituosa invenção”, de acordo com os eruditos oitocentistas, que é nada mais, nada menos do que a percepção das barreiras ao bem-estar e felicidade pelas mãos daqueles considerados estúpidos.
Poderíamos dizer que “a vida é uma coisa séria, frequentemente trágica, por vezes cómica”, e reflecte-se um pouco naquilo que aconteceu neste trabalho. Ironicamente cómica a escolha desta obra, uma vez que não figurava na (chamada) bibliografia “oficial”, fornecida escolhida pela professora. Contudo, não se podendo aplicar às tecnologias, poderíamos analisá-la do ponto de vista da Educação.
Talvez a primeira parte seja mais difícil de entender desse ponto de vista, mas torna-se engraçado na leitura.
Com a queda do Império Romano, contaminados por chumbo, inicia-se a Idade Média, com uma quebra das relações entre o Oriente e o Ocidente, o que levou a um corte na transacção de pimenta. Eis que, duas personagens de grande importância tentam restabelecer esse contacto tão apimentado. O bispo de Brema, com um fraco por mel e caça, e Pedro, o Eremita, maluco por pimenta, são os impulsionadores da “conquista” do Oriente.
“…após séculos de escassez quase total, a pimenta voltou a aparecer cada vez com maior abundância nos mercados e nas mesas.
Neste ciclo de consumo, a pimenta influenciou o capital económico durante a Idade Média.
Na segunda parte, a estupidez vista como impedimento do bem-estar e felicidade dos humanos. De acordo com o autor existem 5 Leis Fundamentais, que em seguida transpomos, resumidamente.
A Primeira Lei Fundamental, assevera sem qualquer ambiguidade que:
v Sempre e inevitavelmente, cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação.
A Segunda Lei Fundamental afirma que:
v A probabilidade de que certa pessoa seja estúpida é independente de qualquer outra característica da mesma pessoa.
A Terceira Lei Fundamental pressupõe que:
v Uma pessoa estúpida é aquela que causa um dano a outra pessoa ou a um grupo de pessoas, sem retirar qualquer vantagem para si, podendo até sofrer um prejuízo com isso.
A Quarta Lei Fundamental preconiza que:
v As pessoas não estúpidas desvalorizam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem-se constantemente de que, em qualquer momento e lugar, e em quaisquer circunstâncias, tratar ou associar-se com indivíduos estúpidos traz infalivelmente consequências que se pagam muito caro.
Para finalizar, a Quinta Lei Fundamental esclarece que:
v O estúpido é o tipo de pessoa mais perigoso que existe.
O corolário da lei é que:
O estúpido é mais perigoso do que o bandido.
Terminada a exposição do que consideramos ser o importante na obra, julgamos necessário creditar que, não sendo uma obra de teor tecnológico, e visto representar uma sátira disfarçada de extremo bom humor, é de total interesse, e de acessível leitura.




